Como dar o contexto da empresa para a IA (sem um projeto de seis meses)
Resposta curta primeiro: você não treina um modelo com a sua empresa. Você conecta o material que já existe a um sistema que busca dentro dele, mantém as permissões de cada pessoa, e exige que toda resposta diga de qual documento ela saiu. É isso. Fazer fine-tuning de um modelo com documentos internos é o jeito caro de chegar a um resultado pior.
As pessoas esperam algo mais difícil porque a primeira tentativa costuma ser. Alguém cola uma política no ChatGPT, recebe uma resposta boa, e concluí que a empresa precisa de "um projeto de IA". Seis meses depois existe uma proposta de data lake e ninguém consegue fazer uma pergunta ainda.
O que "contexto" quer dizer aqui
A sua empresa já sabe a resposta de quase toda pergunta que recebe. O conhecimento existe — num drive, numa conversa fechada, na cabeça de quem negociou aquele contrato. O que falta é uma forma de perguntar.
Então o objetivo não é ensinar o seu negócio para um modelo. É tornar o seu próprio material respondível, dentro das ferramentas que as pessoas já usam, com as permissões que já existem.
Quatro passos
- Escolha uma pergunta que dói. Não uma categoria — uma pergunta. "Qual prazo de entrega a gente promete?" "Quais clientes estão na tabela antiga?" Aquela em que alguém interrompe um colega toda semana.
- Conecte as fontes que respondem ela. Google Drive, Notion, GitHub, Linear, Slack. Não tudo o que você tem; os dois ou três lugares que respondem *aquela* pergunta.
- Pergunte e confira a citação. Resposta sem fonte é chute com confiança. Se o sistema não mostra o documento, você não pode liberar isso para ninguém além de você mesmo.
- Só depois amplie. A próxima pergunta, a próxima fonte, o próximo time. Valor no primeiro dia e efeito composto depois; um rollout big-bang não entrega nenhum dos dois.
Três erros que custam mais caro
Fazer fine-tuning com documentos internos. É lento, é caro a cada atualização, o modelo não consegue citar nada, e ele vai afirmar uma política revogada com a mesma segurança com que afirma a atual. Busca (retrieval) não é a alternativa barata ao fine-tuning aqui — é a correta.
Deixar permissão para depois. No instante em que um assistente responde a partir do material da empresa, ele pode vazar. Tabela de salários, contrato não assinado, dado de um cliente numa conversa de suporte. Permissão não é algo que se adiciona depois, porque "depois" é o dia em que alguém faz a pergunta errada e recebe resposta. A regra que vale insistir: um agente que pergunta em nome de alguém herda o acesso daquela pessoa, nunca mais que isso.
Confiar no histórico de chat como memória. Histórico de conversa não é memória organizacional. Ele é por pessoa, por ferramenta, e desaparece. O que você quer guardado é a decisão e a fonte dela, não a transcrição que produziu a decisão.
O que o ValorBrain faz sobre isso
Construímos o produto em cima exatamente das duas restrições acima: a resposta cita o documento de onde saiu, e a permissão é aplicada por pessoa — inclusive quando é um agente de IA perguntando em nome dela. Ele conecta as fontes listadas acima e responde dentro do Claude, do Cursor e de qualquer cliente MCP, além da própria interface.
Em benchmark público, quando a resposta existe no material, encontramos ela entre os 10 primeiros resultados em 96,58% dos casos (LoCoMo, 1986 perguntas). Também publicamos onde falhamos.
Os dados ficam no Brasil, sob a LGPD, e no plano Enterprise rodam inteiramente na sua infraestrutura. Começar é grátis: plano grátis, sem cartão. Cinco minutos para conectar a primeira fonte é uma estimativa honesta; um projeto de seis meses não é.
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